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Queda no preço do leite preocupa produtores e mobiliza debate no setor

Queda no preço do leite preocupa produtores e mobiliza debate no setor

A forte oscilação no preço do leite tem gerado apreensão entre produtores rurais e cooperativas. O tema foi debatido durante reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) e também abordado em entrevista à Módulo FM pelo presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Agropecuária de Patrocínio, Fausto Amaral da Fonseca.

De acordo com Fausto, o produtor enfrenta um cenário de grande insegurança. Em março do ano passado, o leite chegou a ser comercializado por mais de R$ 3,00 o litro no mercado spot. Desde então, os preços caíram de forma contínua, chegando a menos de R$ 2,00 em dezembro, com registros próximos de R$ 1,60. Para ele, o maior problema está na falta de previsibilidade.

A atividade leiteira exige investimentos de longo prazo. Uma bezerra criada hoje, por exemplo, só começa a gerar retorno após cerca de três anos. Sem uma perspectiva clara de preço, o produtor encontra dificuldades para planejar e manter a atividade.

Durante a entrevista, Fausto destacou que outros países adotam políticas mais estáveis para o setor. Na França, o governo define regras de produção, cotas e preços. Na Nova Zelândia, cooperativas atuam diretamente no planejamento da produção e na garantia de remuneração ao produtor. No Brasil, segundo ele, ainda falta uma política estruturada que ofereça segurança ao setor.

O presidente da cooperativa também afirmou que a importação de leite não é a principal responsável pela queda dos preços, já que representa menos de 10% do consumo nacional. O problema central, segundo ele, é a instabilidade do mercado, com períodos de preços elevados seguidos de quedas bruscas, o que penaliza o produtor rural.

Como encaminhamento, Fausto defende a união entre produtores, cooperativas, indústrias e os governos municipal, estadual e federal para a construção de uma política de médio prazo. A proposta é garantir um preço equilibrado, sem grandes oscilações, assegurando a sobrevivência do produtor, o abastecimento da indústria e a oferta regular ao consumidor.